Novos olhares sobre o corpo: Recuperando o prazer e a vitalidade.
Por Adriana Marques dos Santos & Ana Cristina Teixeira *
Atualmente há diversas escolas de Psicoterapia Corporal. Todas são provenientes da teoria clínica formulada por Wilhelm Reich, psicanalista, discípulo de Freud na década de 20 e dissidente da Psicanálise em meados da década de 30. Neste artigo daremos ênfase às Escolas de Análise Reichiana e Psicologia Biodinâmica, em função de sua complementariedade quanto ao tipo de intervenção junto ao corpo, visando o resgate da vivência de prazer, possibilitando um maior contato e expressão da energia vital.
Durante os tratamentos clínicos, Reich pôde perceber em seus pacientes certas manifestações de contenção emocional, que impediam a expressão de afetos condizentes com a vivência relatada. Observou a correlação entre esta contenção emocional e suas diversas expressões: no corpo, nomeou como “couraça muscular”, e na mente chamou os padrões mentais de “traços de caráter”. Percebeu que os traços de caráter funcionavam como uma blindagem contra a dor e a angústia, como uma verdadeira couraça ou armadura. Essa blindagem psíquica possuía uma ancoragem somática na forma de tensões na musculatura, e disto surgiu o termo couraça muscular do caráter”. Reich nomeou esta relação entre psíquico e somático de “Princípio da unidade funcional do psiquismo”, enfatizando a integração entre psiquê e soma.
Novos olhares surgiram com o desenvolvimento da prática reichiana e o exercício de pensar e teorizar com base na clínica, ampliando os horizontes de recursos técnicos e teóricos então denominados de “neorreichianos”. Um dos expoentes da abordagem neorreichiana é a Psicologia Biodinâmica, fundada pela Norueguesa Gerda Boyesen, radicada em Londres na década de 60. Gerda, psicóloga e fisioterapeuta, inovou com sua ampliação do conceito reichiano de couraça. Na visão da Psicologia Biodinâmica, as couraças além de serem musculares, se estenderiam para as vísceras e tecidos; sendo possível realizar o desbloqueio das mesmas, através dos recursos técnicos de Massagem Biodinâmica e acompanhamento dos movimentos psicoperistálticos. Sua proposta é de uma intervenção não-invasiva e suave, buscando reestabelecer o processo de autorregulação psíquica impedido pelos bloqueios produzidos pelas couraças.
Segundo Gerda Boyesen, os movimentos psicoperistálticos seriam indicadores de caminhos possíveis para o psicoterapeuta operar os processos de desbloqueio das couraças muscular, visceral e de tecidos. Deste modo favoreceria o processo de limpeza de resíduos de tensão emocional, provenientes também do estresse de cada dia. O restabelecimento do processo de autorregulação permitiria um maior acesso a expressões emocionais antes bloqueadas, bem como a capacidade de vivenciar o prazer. Não o prazer que se busca consumir através do entretenimento consumista, compulsivo, que ordena que todos sejam felizes, com a importação de modelos alheios à psique. A proposta do trabalho psíquico visa uma singularidade na vivência de prazer que escapa a todas as formas de uniformizar, padronizar e alienar o corpo. No lugar do silêncio do bloqueio, a vivacidade dos afetos e a possibilidade de construir um viver mais integrado e consciente dos próprios desejos e recursos para lidar com o cotidiano.
Além das bases reichianas, a Psicologia Biodinâmica vem incorporando atualmente elementos teóricos e técnicos oriundos da psicanálise freudiana e winnicottiana, e também contribuições das neurociências. O diálogo com o inconsciente, a valorização do gesto espontâneo e do self verdadeiro e a propriocepção como porta do autoconhecimento constituem fundamentos que orientam o processo terapêutico.
*Ana Cristina Teixeira – Psicóloga (CRP:05/17313), Analista Reichiana, Gestalt- terapeuta, especialista em EMDR pelo EMDR Institute (EUA). Supervisora Clínica. Atende no CENTRO. CONTATOS: (21) 2517-3035 / 9648-8882
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