Assédio Moral – Reconhecendo e vencendo suas armadilhas

Em tempos de violência tão presente em nosso cotidiano, somos levados muitas vezes a enxergar como natural algo que não deveria ser. A resignação quanto ao que vemos e lemos nos noticiários toma o espaço da luta por dias melhores, nos quais o respeito à vida humana deveria ser o principal objetivo. A violência mostra suas diversas facetas, seja através de assaltos, guerras ou desenvolvimento de novas armas, atingindo-nos direta ou indiretamente. Atua no nível social (macro), através da cultura na qual estamos imersos, e atinge o nível micro (relações interpessoais) ou vice-versa. Através do incremento da violência em intensidade e freqüência, tendemos a diminuir nossa percepção relativa ao assédio moral . Explicamos: se nos acostumamos com a violência física em proporções astronômicas, podemos pensar que agredir de forma indireta a alguém é algo sem valor. No entanto, é exatamente esta agressão indireta, muitas vezes imperceptível, que gera o aumento do número de casos de depressão, agressões aparentemente injustificadas (como resposta) e até suicídios. Tamanha é sua expansão nas mais diversas relações, sejam elas no trabalho, em família ou no casal, que se torna fundamental reconhecê-la e atuar diretamente sobre a mesma para, se não bani-la, pelo menos diminuir sua influência sobre nosso meio de convívio.

O assédio moral é um caminho para o aniquilamento psíquico do outro. É algo destrutivo quando se repete com frequência. Pode surgir através de técnicas de desestabilização habituais, tais como: os subentendidos, a mentira, as alusões maldosas em relação a alguém (com ou sem o seu conhecimento), as humilhações, dentre outras. Relacionamentos baseados neste tipo de troca são relações perversas. Na clínica, por exemplo, ouvimos muitas queixas do quanto se é desvalorizado pelo parceiro ou até mesmo aquelas pessoas que fazem o mesmo sem perceber. É tão comum para aquele casal “funcionar” deste modo, que não percebem o quanto a relação, que poderia ser prazerosa e de crescimento mútuo, torna-se cansativa, enfadonha e desestabilizadora. Um bom exemplo diz respeito às desqualificações que podem surgir através de comentários aparentemente inocentes: “isso é muito difícil para você, você nunca consegue nada mesmo…deixa que eu faço . ” E o indivíduo começa a acreditar em sua incapacidade, inutilidade e inferioridade. E que não pode viver sem seu algoz! É comum também o algoz colocar-se na posição de vítima, quando flagrado. Muitas vezes torna-se frio e distante, dizendo-se magoado com as colocações do parceiro. Deste modo, inverte o jogo, tornando-se a vítima o algoz e vice-versa.

Aquele que comete o assédio moral chamamos de Perverso . Pessoas perversas são dotadas de uma racionalidade fria, combinada com uma incapacidade de empatia, isto é, de se colocarem no lugar do outro. Não consideram os outros como seres humanos e sim como objetos descartáveis para atingir seus objetivos. Estas relações podem ocorrer em maior ou menor grau e muitas vezes este tipo de pessoa consegue manipular os outros ao seu favor, sendo raramente punidas. A importância de reconhecer a perversão em algumas pessoas é a possibilidade de melhor se defender, não permitindo ser capturado em suas armadilhas de sedução.

A Psicoterapia permite o desenvolvimento da percepção de si mesmo e do mundo externo, favorecendo o trabalho sobre a auto-estima, podendo dificultar deste modo a construção e/ou manutenção de vínculos destrutivos. O autoconhecimento embasado no reconhecimento do potencial pessoal, possibilita a auto-gestão direcionada para uma vida mais integrada consigo e com a escolha das parcerias a construir no mundo.

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