Gestalt – Terapia

Iniciada por Frederick Perls, em 1951, a Gestalt-terapia teve como seu primeiro marco o livro Gestalt-therapy, hoje traduzido pela editora Summus. Seu surgimento foi marcado pela contraposição à Psicanálise – a sua metodologia, bem como à forma de atuação do terapeuta em sua relação com o cliente, os quais abordaremos a seguir. Desde então vem desenvolvendo-se enquanto prática terapêutica com excelentes resultados. No Brasil, é um movimento em pleno desenvolvimento desde a década de 70.
Mas, então, o que é exatamente a Gestalt-terapia? Difícil explicar o que é. Mais fácil vivenciá-la. No entanto, exporemos um pouco sobre as bases da Gestalt-terapia sem nos restringirmos a modelos específicos inexistentes, do que poderia vir a ser esta prática.
A Gestalt-terapia se construiu a partir de várias influências – a Filosofia Oriental, a Fenomenologia, autores como Reich, Alexander Lowen, o Psicodrama de Moreno, Kurt Lewin, Goldstein, a própria Psicanálise Freudiana (mesmo que em contraposição a ela), dentre outros. Com uma influência vasta no desenvolvimento de sua base filosófica e prática, busca perceber e atuar junto ao cliente de modo Holístico, ou seja, entrar em sintonia com o “todo” que o cliente é. Isto significa, por exemplo, que o cliente não é um “caso de Depressão ou Pânico” que entra no consultório solicitando auxílio. O cliente é uma pessoa que, naquele momento necessita ser acompanhado por um Psicoterapeuta. Cabe a nós, Gestalt-terapeutas, “caminharmos ao lado desta pessoa”, facilitando o encontro dela consigo mesma, a fim de que ela alcance sua autonomia (capacidade de viver mais integrada consigo mesma, realizando suas escolhas, atuando a favor de uma vida mais saudável para si mesma). Outro ponto importante é que, durante a terapia, o nosso enfoque é voltado para o AQUI E AGORA, ou seja, o momento presente da vida do cliente. Isso não significa descartar o passado, mas perceber, sentir, como este passado atua no momento atual. Partimos de COMO o cliente vive, de COMO pensa, sente, age em sua vida, sem nos prendermos a explicações (que determinam e limitam o campo de atuação do cliente). O processo de consciência acerca de como se vive, sente, produz sua própria vida, permite ao cliente uma maior percepção de si mesmo, de suas possibilidades de escolha, decisão e ação no seu dia-a-dia. A consciência de si mesmo facilita o agir integrado com o pensar e sentir, unindo a essência do que sou com os desejos, necessidades e possibilidades.
Este processo de conscientizar-se de si, do outro, das relações que travamos no mundo onde vivemos, ocorre na relação psicoterapêutica. As técnicas, a habilidade para utilizá-las a favor do cliente, no momento adequado, demandam formação, treino e habilidade por parte do psicoterapeuta.
Outro ponto relevante é que na Gestalt-terapia priorizamos a vivência, a experiência do cliente. Isso quer dizer, por exemplo, que o psicoterapeuta atua facilitando ao cliente experimentar também de novas formas aquilo que vive neste momento, ampliando o seu campo de percepção, vivência do cliente. Podemos citar como exemplo um cliente com Depressão que percebe que seu sintoma lhe permitia fazer uma série de coisas que antes não podia (quando estava “saudável”). Então, escolheu sem ter consciência do fato, deprimir. Conseguiu alcançar “ganhos” que, mais tarde lhe custaram um preço bastante alto. O assumir o “lugar de vítima” lhe permitia ter acesso a determinadas pessoas da família as quais não teria comumente. A partir da conscientização de COMO o sintoma lhe proporcionava isto e também de que poderia alcançar resultados melhores, mais integrados, através de outras formas mais diretas e em congruência consigo (sem se violentar), iniciou o processo de saída da Depressão. De modo distinto, mas também partindo do processo de conscientização de si mesmo, um cliente conseguiu diminuir o nível de Stress, diretamente associado a manifestação de uma doença incurável, e integrar-se de modo mais afetivo a sua família. Também os trabalhos em grupo de Psicoterapia, prática na qual me especializei, são extremamente eficazes. A atuação do grupo é facilitadora do crescimento conjunto, propiciando uma maior consciência de si mesmo na relação com o outro. O grupo serve como via para dar feedback (retorno) ao cliente daquilo que lhe ocorre e também como forma de este perceber que há outros que também passam por questões às vezes similares. O aprendizado e crescimento conjunto estimula a busca de uma maior autonomia, partindo da melhoria conjunta.
Talvez buscando resumir tudo o que escrevi até então, posso dizer que a vida em si mesma não é nada mais do que a percepção dela mesma, do prazer de estar vivo e de que podemos dar o sentido que escolhermos a ela. A escolha genuína, verdadeira de tudo o que vivemos, só pode ser realizada na medida em que temos consciência daquilo que somos, desejamos, de nossos limites, dos limites da realidade e dos limites que podemos transpor. A vida em si mesma é aquilo que construímos, sendo, vivendo, e principalmente, COMO VIVEMOS E OPTAMOS VIVER. A Gestalt-terapia surge como um instrumento facilitador deste processo de consciência para que, então mais integrados, possamos alcançar uma vida mais digna, integrada, ética, saudável e feliz.

[optin-cat id=”1065″]

Você também vai gostar de...