Afinal, para que serve a Psicoterapia Corporal?

Por Adriana Marques dos Santos*

Na atualidade somos instigados por tudo aquilo que é rápido, fugaz, que nos traz respostas a demandas pouco duradouras. O movimento de Globalização nos permite acessar informações inalcançáveis e até mesmo inexistentes há poucas décadas. Se a constante integração de saberes nos traz a possibilidade de construções, avanços tecnológicos e científicos com maior rapidez, nem por isso podemos afirmar que o desenvolvimento da humanidade caminha no mesmo sentido. Os questionamentos existentes desde a época dos primeiros filósofos, permanecem até o momento atual: “quem sou eu? Para que estou aqui? O que desejo e o que posso fazer de minha vida?” , dentre outros. Podemos resumí-los: de onde vim e para onde vou?

O consultório é um espelho do que se vive na atualidade: ansiedade, depressão, pânico, stress, adoecimento, somatizações. Muitas exigências externas e pouco conhecimento de si próprio, dos limites e recursos pessoais para responder às pressões de maneira mais saudável. A demanda por respostas rápidas sem o necessário comprometimento é cada vez mais frequente. Poderíamos nos arriscar a dizer, sem pouca chance de equívoco, que a relação que ocorre entre o homem e a internet, onde há “respostas para quase tudo”, repete-se no consultório através do velho pedido do cliente “o que eu faço com isso?”. Desespero. Todos já vivenciamos isso em algum momento. Mas, quando a demanda de nossos clientes é frequente e intensa, é importante pararmos para rever o que realmente estamos fazendo aqui enquanto profissionais, psicólogos, psicoterapeutas e que lugar desejamos ocupar. Além disso, que tipo de trabalho estamos capacitados para desenvolver com nossos clientes?

O primeiro ponto que destacamos: trabalhamos com nossos clientes e não para nossos clientes. A relação em psicoterapia é algo que se constrói a dois, com o comprometimento de ambos. Se apenas uma das partes está comprometida com o processo, ele não caminha, permanece estagnado como água parada, apodrecendo, evitando o crescimento de ambas as partes. A relação de psicoterapia saudável permite o crescimento de ambos. Outro ponto importante: a psicoterapia funciona quando é algo desejado. É fundamental que o cliente realmente esteja disponível a olhar para si próprio, mais do que esperar que o psicoterapeuta lhe diga o que fazer. Psicoterapia significa cuidar da própria alma, é a alquimia que começa com o olhar sobre si. A partir da busca de nossa essência, podemos crescer, desenvolver, transformar e melhorar nosso modo de ser, estar e viver no mundo.

A Psicoterapia corporal baseia-se na leitura Psicanalítica e no arcabouço teórico-prático de Wilhelm Reich (criador da Psicoterapia Corporal e autor base para o desenvolvimento da Psicossomática). A integração entre as sensações, sentimentos e história de vida do cliente é de fundamental importância. O trabalho psico-corporal unido a elaboração dos conteúdos que surgem durante o processo, permite uma via de acesso ao inconsciente.

Relacionando a leitura Psicanalítica com a atuação sobre o corpo, possibilita a expansão da auto-percepção, além da flexibilização das couraças(defesas instaladas no corpo e no modo de se relacionar e comunicar com o mundo). A toda rigidez corporal corresponde a rigidez no modo de ser no mundo. Quanto maior a rigidez, maior a possibilidade de adoecimento. Conectar com os próprios pontos de rigidez corporal (estase, segundo Reich) e trabalhá-los durante a psicoterapia, permite sua flexibilização e elaboração dos conteúdos inconscientes correspondentes.

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