Transtorno do pânico – O medo que paralisa
*Por Adriana Marques dos Santos
O medo é um sentimento inato, fundamental na manutenção de nossa espécie. Precisamos senti-lo para reagirmos de forma adequada às ameaças reais do meio, mantendo-nos vivos. Nosso corpo inteiro se prepara para reagir a qualquer situação ameaçadora, alterando sua fisiologia e preparando-se para o “ataque ou fuga”. Esta reação é natural quando há um estímulo real acontecendo. No entanto, o adoecimento pode acontecer quando estas reações passam a ocorrer sem um estímulo real ou de forma exacerbada diante da realidade. Infelizmente o adoecer é algo cada vez mais constante. Diante de tantos estímulos geradores de medo, ansiedade, torna-se difícil muitas vezes manter a sanidade. Somos cada vez mais assolados por notícias de pessoas que morrem atingidas abruptamente por “balas perdidas” que não se sabe muito bem de onde vem e para onde se dirigem. Somos lembrados a cada momento de nossa real fragilidade diante de um cotidiano violento. Mesmo assim, nos deparamos com diversos tipos e intensidades de medo, diante de um cotidiano comum de violência. O que explicaria, então esta diversidade de reações de medo? Como podemos lidar com nossos medos de forma a não sermos engolidos por eles? Neste texto enfocaremos o Transtorno do Pânico, que é um tipo de Transtorno de Ansiedade, no qual o medo entra em cena de forma intensa, sem um estímulo externo naquele momento, que o explique.
O Transtorno do Pânico é caracterizado por ataques de Pânico recorrentes e inesperados, seguidos por preocupações de recidiva por no mínimo um mês. Algumas pessoas têm um único ataque de Pânico sem, no entanto, desenvolverem o Transtorno do Pânico. Estes ataques podem ser reconhecidos quando há ocorrência de pelo menos quatro dos seguintes sintomas, concomitantemente: palpitação ou ritmo cardíaco acelerado; sudorese (suor intenso); tremores; falta de ar ou sufocamento; sensação de asfixia; dor ou desconforto no peito; náusea ou desconforto abdominal; tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio; sensação de irrealidade ou de distanciamento de si mesmo; medo de perder o controle ou enlouquecer; medo de morrer; sensação de formigamento ou de insensibilidade de parte do corpo; calafrios ou ondas de calor. Sua incidência vem aumentando cada vez mais, gerando muitas vezes uma transformação intensa na vida das pessoas. Muitas deixam seus trabalhos, isolam-se e modificam seu dia-a-dia, em função do medo de desenvolverem novas crises. O medo do medo é algo freqüente e extremamente limitante. Muitas destas pessoas evitam buscar auxílio profissional ou restringem o seu tratamento ao uso de medicamentos. Deste modo, controla-se a ansiedade sem, no entanto, trabalhar as reais causas deste Transtorno na vida daquela pessoa em especial.
Já existem algumas pesquisas apontando possíveis causas, além da prática clínica em consultório que nos permite desenvolver metodologias específicas para o tratamento deste Transtorno. No entanto, é importante avaliar cada caso, pois a história de vida é fundamental no modo como cada um desencadeia suas crises. Alguns estudos atuais com gêmeos apontam para a maior incidência deste transtorno em gêmeos idênticos – um ponto a mais para a hipótese de que a genética desempenha também um papel importante. Este fato também é corroborado com a experiência clínica que nos demonstra o quanto este transtorno é freqüente em pessoas que são oriundas de famílias em que a ansiedade é um traço marcante. Tal fato nos faz pensar o quanto a genética e também o convívio diário possibilita construir dinâmicas de comportamento que predispõem à ansiedade. Outras pesquisas confirmam a diferença no funcionamento cerebral das pessoas que têm Transtorno do Pânico e outras que não o tem. Tais descobertas só reforçam a importância de percebermos o nosso cliente como um todo. É essencial lembrarmos que corpo e mente funcionam de modo integrado e que também o tratamento, para garantir sua eficiência e eficácia, necessita de uma abordagem integrada de homem.
A psicoterapia corporal atua no homem como um todo, partindo da visão de que o homem é um ser Psicossomático. Isto significa que não há nada no corpo que não exista na dinâmica da personalidade, em sua fisiologia, em seu funcionamento cerebral, em suas crenças, em seu modo de agir e atuar sobre sua própria vida. Nós somos uma unidade biopsíquica cujo funcionamento é expresso simultaneamente em emoções e funções fisiológicas. As contenções emocionais que experimentamos em nosso cotidiano perturbam o funcionamento orgânico e psicológico, originando as patologias. O trabalho da psicoterapia corporal tem como objetivo disponibilizar um espaço de elaboração dos conflitos (que podem gerar o adoecimento nas mais diversas esferas), associando, no momento adequado, o trabalho com o corpo. Tal tipo de intervenção visa flexibilizar o que Reich denominava de couraças, ou seja, um conjunto de reações de defesa que se cronificam no corpo e que geram a limitação das expressões emocionais, o relacionamento humano, o contato afetivo, o prazer de viver, bem como o mau funcionamento orgânico, podendo ocasionar futuramente diferentes tipos de doenças.
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